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A DEMONIZAÇÃO DO PLEITO DE 02 DE OUTUBRO



Por Gustavo Mariani

O Brasil é país de curtíssima memória e com palavras trocando muito de sentido. O único “sentido que não muda de sentido” em terras “brazucas” é uma antiga denominação francesa para “bunda na cadeira”. Isto é, as assentadas pela burguesia, o baixo clero e os descamisados durante assembleia que limitou do poder do Rei Luís 16.”O Fujão”, mas degringolado. Foi por ali que surgiu os termos direita e esquerda, que o brasileiro gostou tanto.

A partir de 1791, a França começou a rolar lance político bipartidário complicado, com girondinos – aristocracia sentada à direita do presidente da constituinte querendo segurar conquistas revolucionárias, mas sem muita coisa para a pobreza – e os jacobinos – pequena/média burguesia “bundada” nas cadeiras à esquerda, brigando por mais avanços.

Lá se vão 131 viradas e calendário e o termo direita/esquerda não tira seu time de campo no Brasil, engrossado por vocabulário para impressionar analfabetos, entre outros, exclusão social; governo da maioria para a maioria; fraudes eleitorais; golpe branco; compra de voto; financiamento de campanhas; controle da mídia e pressões eterna do Fundo Monetário Internacional e do imperialismo norte-americano.

Direita e esquerda ganhou mais força nos tempos da Ditadura dos generais-presidentes, quando quem os apoiava era direitista e os contra esquerdista. Hoje, parlamentar, no Brasil, é ladrão, ou não é. Basta ver a relação dos fichas sujas que reúne as duas vertentes citadas acima.

Mesmo com os políticos brazucas ainda se dizendo de direita e de esquerda, embora eles não saibam o que defendiam girondinos e jacobinos, não serão eles quem decidirão o pleito presidencial do próximo 3 de outubro. Serão os “igrejistas” que o presidente Jair Bolsonaro pediu para fazerem a nona Cruzada, um milênio depois da última. Por ora, embora o Jair Messias se diga “o bem diante do mal”, as pesquisas não indicam que o Senhor esteja muito do seu lado. Para isso, deverá ganhar, inteiramente, as graças dos evangélicos que o ajudaram a vencer em 2018.

Declaradamente, contando com o apoio de feras evangélicas, como Edir Macedo, Silas Malafaia e Marcos Feliciano, o presidente Bolsonaro adotou a tática de “demonizar” o adversário Luís Inácio Lula, “feiquiniuando” que, se eito, o “representante do Demo” mandará fechar templos das igrejas Universal do Reino de Deus; Mundial do Poder de Deus; Internacional da Graça; Renascer em Cristo; do Evangelho Quadrangular; da Sara Nossa Terra e da Presbiteriana. Além de obrigar seus pastores a casarem homem com homem e mulher com mulher – até parece música de Tim Maia. Na verdade, a constituição brazuca não permitiria isso a Lula, que terá de lembrar muito na reta final de campanha ter sido ele o criador do Dia Nacional da Marcha para Jesus e da Lei de Liberdade Religiosa.

Para Luís Inácio, o presidente Bolsonaro é um ”fariseu que tenta manipular a boa fé dos evangélicos”; para o Jair Messias, o rival Lula vendeu a sua alma ao Diabo para ganhar dele nas urnas. Neste jogo de demonização, durante o lançamento da candidatura Bolsonaro, pelo PL, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, a primeira-dama Michelle Bolsonaro disse que o Palácio do Planalto vivia habitado pelo demônio, até 2018. De sua parte, Lula rebateu dizendo que o cramunhão ainda não saiu de lá.

Enfim, um lado busca do eleitorado oscilante evangélico, enquanto o outro promete “livrar o povo brasileiro da mentira e do engano”, e pede sabedoria ao povo de Deus, “para não entregar o país nas mãos dos inimigos da fé cristã”.

Enfim, com tantas demonizações a cada rodada de desaforos e lutas pelo voto evangélico, no 3 de outubro, seguramente, Satanás estará na boca da urna, na marca do pênalti, decidindo quem vai mandar para o Altíssimo – antes tarefa que cabia a Deus, à direita e a esquerda.

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