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OS VENDILHÕES DO TEMPLO...


É inacreditável e desanimador que o país, com tantos problemas sérios a resolver esteja discutindo o seu futuro, às vésperas do segundo turno de 2022, em clima de Fla X Flu. 

A República Federativa do Brasil é um Estado laico – como já o era o Império – e, no entanto, ficamos discutindo, em primeiro plano, se fulano ou beltrano é mais fiel a Deus. Jesus Cristo ficaria estarrecido com os novos vendilhões do templo. 

Jair Bolsonaro se elegeu presidente em 2018 e passou todos os seus quatro anos de governo cortejando os pastores e o eleitorado evangélico. Trata-se de um tipo de eleitor fiel que segue a palavra dos pastores, os ”novos coronéis” do Brasil urbano. Se o pastor manda votar, os fieis seguem mais cegamente do que a ordem dos velhos coronéis dos rincões do Brasil rural do século passado. No tempo do voto com cédula, os coronéis levavam os eleitores na caçamba de caminhões e lhes davam a cédula pronta, com os nomes que queria eleger, e um pé de sapato. O par seria completado se os candidatos do coronel fossem eleitos.

Os pastores modernos garantem o voto em troca de um passaporte para o ”reino dos céus”. Os fiéis acreditam piamente. No passado, um deles chegou a criar um ”plano de compra, à prestação, da “casa própria no céu”. O plano foi suspenso pelas autoridades da época. As igrejas e templos são isentas de Imposto de Renda. Mas deveriam prestar conta do dinheiro que entra e sai de suas contabilidades. São franquias milionárias que logo montam filiais nos Estados Unidos, para onde são remetidos os dólares arrecadados nos grandes cultos de fim de semana.

Qualquer doleiro pode explicar o forte movimento nas segundas-feiras, quando reais são convertidos em notas pequenas de dólar e embarcados em malas para Miami e outros locais onde se radicaram os mais ricos pastores, que gozam das facilidades dos “passaportes diplomáticos”, uma passagem pela alfândega sem o exame demorado das bagagens. 

Do mesmo modo, os pastores e prestadores de serviço nos templos não deveriam estar isentos do recolhimento do INSS (individual e patronal). Trata-se de uma dívida em bola de neve (por sinal uma das diversas denominações evangélicas usa esse nome; um dos membros da banda “Raimundos” tornou-se adepto e rachou o grupo). Quando pastores e obreiros se aposentarem por idade, a conta recairá sobre a sociedade (católicos, evangélicos, muçulmanos, umbandistas ou ateus).

Os pastores foram cortejados por Bolsonaro com o perdão de dívidas bilionárias ao Fisco e ao INSS. Em abril do ano passado, cedendo ao “lobby” dos pastores, liderado pelo deputado David Soares, então no DEM-SP, o presidente isentou 16 denominações evangélicas de dívidas no valor de R$ 1,9 bilhão! Davi Soares é filho do pastor R.R. Soares da Igreja Internacional da Graça de Deus, que aluga horário das noites da Band e da Rede TV para suas pregações, e uma das agraciadas por Jair Bolsonaro. Valdemiro Santiago, o pastor do chapelão da Igreja Mundial do Poder de Deus, também foi abençoado por Bolsonaro, bem como Robson Rodovalho, o bispo Rodovalho da Igreja Sara Nossa Terra, frequentada pela primeira-dama Michelle. A transação de recursos das igrejas e templos (isenta do IR pela Constituição, mas não da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) era driblada por entrega aos pastores do resultado da arrecadação. A Receita queria cobrar a CSLL, mas o presidente, já em campanha, isentou a cobrança em abril do ano passado.

Sem prestação de contas, além de “currais eleitorais” as igrejas se tornaram convenientes lavanderias de recursos. Muito mais do que o dízimo dos fiéis, a pujança de muitas igrejas vem da lavagem de dinheiro que pastores fazem no particular para empresários que querem fugir do fisco. O empresário entrega R$ 100 mil ao pastor e este devolve R$ 85/80 mil, e o dinheiro “esquentado” paga menos imposto do que se declarado à Receita Federal. O último ex-secretário da Receita que foi atrás dos pastores, o tributarista Marcos Cintra, que queria criar o imposto único sobre transações financeiras (abolindo quase todos os demais) e foi vice de Soraya Thronicke. O atual secretário, José Barroso Tostes Neto, foi enquadrado pelo ministro Paulo Guedes e o presidente em abril do ano passado, para facilitar a adesão em massa dos pastores ä sua campanha de reeleição. Ah, sim, além do perdão das dívidas, Bolsonaro recriou o Ministério do Trabalho e da Previdência, no ano passado, tirando a interferência supostamente mais fria e isenta do Fisco sobre os negócios das igrejas e seus prepostos. Pelo sim, pelo não, o noticiário tem sido farto em registros de que os pastores passaram a operar influências políticas em ministérios, como o da Educação e da Saúde, em troca de barras de ouro ou de criptomoedas!

Os pastores sabem muito do seu poder político. O pastor Everaldo fincou raízes na política fluminense ao participar do governo Garotinho, no ano 2000. E mantém sua influência mesmo após condenação na Justiça. O pastor que criou o plano da casa própria divina, além de vociferar contra o PT, atua como um dos principais cabos eleitorais da reeleição. 

No Brasil e além mar. A tal "ameaça de fechamento dos templos" (que seria tramada no governo Lula) não seria apenas o temor de que a Receita Federal do Brasil, que também controlava a arrecadação do INSS, voltasse a colocar a lupa na movimentação financeira de igrejas e pastores?

O papel de lavanderia das igrejas ficou mais patente nesta eleição, quando o Tribunal Superior Eleitoral restringiu as doações de empresas a candidatos ou partidos. O uso das igrejas como biombo, porém, não foi alcançado. O dito pastor da “casa própria celestial” virou um dos mais ativos cabos eleitorais para a reeleição de Jair Bolsonaro. Coube a ele bancar os custos do trio elétrico usado por Bolsonaro no seu comício no 7 de setembro, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Em retribuição, integrou a seleta comitiva dos ‘escolhidos’ para ir a Nova Iorque assistir ao discurso do presidente brasileiro na Assembleia Geral das Nações Unidas. Mas, antes, por que não, uma paradinha na corte de Saint James para o último adeus ao esquife da Rainha Elizabeth II, na Catedral de Westminster, e a se exibir ao lado do presidente na sacada da embaixada do Brasil em Mayfair, quando o presidente, desrespeitando todos os ritos dos 10 dias de luto pela monarca, após sete décadas de reinado, fez um badernaço com seus histéricos apoiadores londrinos.

O mesmo comportamento desrespeitoso se repetiu na Basílica de N. Sra Aparecida, dia 12 de outubro, sendo necessário o padre Eduardo Ribeiro, que oficiava uma das missas, advertir os adeptos do candidato, que bradavam o grito de guerra “mito, mito”, de que estavam em uma cerimônia religiosa em um templo católico, e não num comício eleitoral. Depois do carão, Jair Bolsonaro, que obviamente não estava acompanhado do onipresente pastor Silas Malafaia, saiu de fininho, sob vaias dos fiéis católicos. Mas, do lado de fora, a malta bolsonarista, ensandecida e embriagada, com fartas canecas de cerveja ä mão, vaiava o padre e investia aos socos e pontapés contra os jornalistas da emissora católica TV Aparecida, que registrava a movimentação do dia

Do Potiguar News

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