Por: BOSCO AFONSO
Não se sabe ao certo de quem foi a autoria da frase, se de Magalhães Pinto, de Tancredo Neves ou de qual político que fez a comparação do estado da política com uma nuvem, mais ou menos assim: “política é como uma nuvem. Está de uma forma e de repente muda completamente”. É isso mesmo.
Por isso, grande parte dos políticos são precavidos, “escondem o jogo”, evitam prognósticos, mas sempre dão as escorregadas.
Até uns vinte, trinta dias atrás o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, que já se lançara candidato a Senador, depois a Governador por conta própria, pela oposição e também pela situação era o chamado “político da vez”. Considerado o “trunfo” para desarticular por completo o bloco da oposição.
Achando que estaria dando uma jogada de mestre, o Chefe da Casa Civil da governadora Fátima Bezerra, o influente e todo poderoso Raimundo Alves desestruturava uma chapa que estava sendo construída com o beneplácito de Lula sendo Fátima na cabeça, Walter Alves como vice-governador e Jean-Paul Prates como Senador, para fazer embarcar no bloco o ex-prefeito de Natal, na condição de candidato ao Senado Federal.
De uma tacada só Raimundão tirou a possibilidade de Jean, mesmo petista, tentar renovar o seu mandato de Senador, ao mesmo tempo em que escanteou o deputado federal Walter Alves e todo o seu grupo político que conta com a participação de centenas de vereadores, dezenas de prefeitos e também do influente ex-deputado, ex-governador, ex-ministro e ex-senador Garibaldi Alves Filho. Tudo isso, em troca da presença de Carlos Eduardo Alves na chapa de Fátima, como candidato ao Senado.
Com Raimundo Alves cantando loas, “peitando” petistas e já contando com a vitória antecipada de Fátima, a oposição desestruturada, até então sem um nome com viabilidade real de enfrentar o favoritismo de Fátima, se reorganizava, “juntava os cacos” e tentava criar reais condições para dificultar a reeleição da petista.
Durante as confabulações engendradas pela oposição, surge um fato novo (política é como nuvem): a possível desaprovação das contas do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, como indica o Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) que pode deixa-lo inelegível. Enquanto isso, Ezequiel, o presidente da Assembleia Legislativa que até então se mostrara fiel ao governo de Fátima e o deputado Walter Alves, que chegou a se sentir candidato a vice-governador na chapa para renovar o mandato da petista saem do sistema governista, abandonam o barco que Raimundão achava navegar em mar de águas tranquilas, se juntam à desacreditada oposição e de repente projetam uma chapa que pode dar dor de cabeça à filha de seu Severino.
Ezequiel, candidato ao governo com Waltinho como seu vice-governador e Rogério Marinho disputando o Senado e todos envolvendo uma vasta lista de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, lideranças pelo interior do Estado, além de testados pelo eleitorado de uma maneira geral, formam uma chapa competitiva.
Definida essa chapa, há um esvaziamento no bloco da governadora Fátima Bezerra, que, inclusive, pode perder a participação de Carlos Eduardo se o filho de Agnelo se tornar inelegível, enquanto que a oposição se fortalece para encarar as eleições de outubro próximo.
A política é assim mesmo, como uma nuvem…
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