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CÍCERO MARTINS DIZ QUE BOLSONARISTAS USAM POVO PARA INTERESSES PRÓPRIOS

                      


Do Agora RN

A convocação do ato previsto para o dia 16 de março não atende aos interesses dos apoiadores presos desde os acontecimentos de 8 de janeiro. A avaliação é do ex-vereador de Natal Cícero Martins (PP), que critica a movimentação política atual e aponta que a manifestação serve exclusivamente para evitar uma eventual prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Martins destaca que, mais de um ano após as prisões, parte dos detidos permanece sem perspectivas, enfrentando dificuldades financeiras e problemas psicológicos. Ele ressalta que Bolsonaro nunca participou ativamente de mobilizações pela anistia dos presos e menciona que o ex-presidente sequer esteve presente em atos públicos relacionados ao tema, como na manifestação realizada em São Paulo após a morte de Clézio Lopes, conhecido como “Clezão”.

As críticas de Martins não se limitam à inércia de Bolsonaro. Ele também questiona a estratégia adotada pelos parlamentares ligados ao ex-presidente. A análise do ex-vereador aponta que aliados bolsonaristas no Congresso votaram contra o único deputado que havia se comprometido publicamente com a anistia dos presos, Marcel Van Hattem. No Senado, Eduardo Girão (NOVO), que prometia encaminhar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, também não recebeu apoio do grupo.

O ex-vereador levanta dúvidas sobre a mudança de foco político, que passou da tentativa de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a defesa da anistia. Ele afirma que Bolsonaro teria orientado seus aliados a apoiar candidaturas alinhadas ao governo na eleição para as presidências da Câmara e do Senado. Segundo Martins, a decisão evidencia um movimento contraditório, no qual interesses políticos se sobrepõem à pauta que mobilizou parte da base bolsonarista.

No Rio Grande do Norte, parlamentares que seguiram a orientação de Bolsonaro são criticados pelo ex-vereador, que os acusa de manipular setores da sociedade para obter vantagens políticas. Para ele, a atuação desses agentes compromete a credibilidade do movimento e reforça a ideia de que não há um compromisso genuíno com as pautas defendidas por seus eleitores.

A crítica de Martins se estende à direita como um todo. Ele afirma que o grupo utiliza discursos como “Deus, Pátria e Família” para angariar apoio, mas não corresponde às expectativas de seus seguidores. Ele acrescenta que, ao longo do tempo, identificou padrões de comportamento que o levaram a se distanciar de figuras políticas que, segundo ele, utilizam o eleitorado para fins estratégicos.

Embora faça duras críticas a Bolsonaro e sua base, o ex-vereador reforça que não pretende migrar para a esquerda. Ele reitera sua rejeição ao governo Lula e afirma que sua posição decorre da experiência política adquirida ao longo dos anos.

Martins conclui sua análise afirmando que, enquanto disputas políticas se desenrolam, o Brasil enfrenta aumento da pobreza e da violência. Ele sugere que a população precisa estar atenta às movimentações políticas para não ser conduzida por interesses que não representam mudanças estruturais.

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