Uma semana atrás, o
colunista Jorge Bastos Moreno, do jornal O Globo, foi o primeiro a contestar o
desmentido de Nelson Jobim sobre o teor da conversa, em seu apartamento, entre o
ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Moreno via certo “duplo sentido” na negativa de Jobim a respeito da suposta
chantagem exercida por Lula sobre Gilmar. Ou seja, ele negava, mas não
negava.
Neste sábado (02), o jornal
O Globo publica entrevista de Jobim ao próprio Moreno, onde o ex-ministro da
Justiça não economiza palavras para deixar clara a sua posição. “Não falo mais
com esse cara! Depois do que ele fez, não quero mais conversa!”, disse o
ex-ministro da Justiça, sobre Gilmar.
Jobim e Gilmar eram
parceiros num projeto comum, de resgate da memória da Constituinte, que
proclamou a Constituição brasileira pós-redemocratização, em 1988. Os dois
teriam um encontro para tratar do assunto na última segunda-feira, que foi
desmarcado diante da polêmica criada pela reportagem de Veja, a quem Jobim só
aceitou falar a pedido de José Serra.
Eis, abaixo, o diálogo
entre Nelson Jobim e Jorge Bastos Moreno:
- Acabou! Não tem mais
sentido esse projeto! – disse Jobim.
- Por quê?
- Não, não, acabou! Não
falo mais com esse cara! Depois do que ele fez não tem mais conversa!
- Mas os senhores eram
tão amigos!
- E esse assunto
acabou! Não falo mais sobre isso!
- Dizem que o senhor
teria confirmado tudo a amigos – disse Moreno.
- Não quero saber
disso. Esquece. Eles que são brancos que se entendam! – respondeu um quase já
estourado Nelson Jobim.
Moreno já desistiu da
tese do duplo sentido. Veja ainda insiste. Num texto intitulado “Jobim mata a
cobra mas não mostra o pau”, a revista recorreu ao ex-presidente americano
Lyndon Johnson: “A coisa mais importante que um homem tem para lhe dizer é o que
ele está tentando não dizer.”
Jobim, aparentemente,
já disse tudo.
Do portal
BR247














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