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ELEIÇÕES 2022: A POLARIZAÇÃO E O NÚMERO DAS PESQUISAS

 


Coisas da Política 

Edição n° 15

Por Saulo Medeiros

Desde os primeiros dias de julho, os candidatos à presidência levaram oficialmente a campanha às ruas. Enquanto o guia eleitoral nas TVs e rádios não começa, tem-se a impressão de que a eleição presidencial invadiu o cotidiano dos brasileiros. Mesmo que ainda fria, esta eleição promete ser uma das mais disputadas desde a redemocratização.

As razões para acreditar nisto encontram-se em diversos elementos apresentados pelas pesquisas, e são fruto da realidade que se impõe: a  situação da Economia; o desemprego são questões prioritárias e decisivas para a escolha do próximo presidente em 2022.

As mudanças nas regras eleitorais em 2015, ainda vigentes, fizeram em 2018 a campanha eleitoral durar apenas 45 dias, em vez de noventa. Além disso, foram banidos os financiamentos empresariais de campanhas e estabelecido um teto de gastos por tipo de candidatura.

Outra consequência importante de tais mudanças foi dar maior relevância aos potenciais candidatos no período pré-­eleitoral. É o que está acontecendo agora. No Congresso e nos partidos e, obviamente, na Presidência da República, a pré-campanha ou campanha já está em curso.

Para analisar algumas variáveis desta eleição, resolvi destrinchar os dados da última pesquisa Datafolha. Embora considere o instituto o mais confiável por questões metodológicas (que não cabe discutir neste texto), escolhi deter-me nele, também, por oferecer um relatório com dados mais completos e cruzados do que o de qualquer outro instituto.

Quando quero saber as chances reais dos candidatos envolvidos numa disputa, a primeira coisa que observo é a avaliação do atual governo. Extraindo os dados coletados do próprio site do Datafolha equiparando o estágio da campanha eleitoral nas últimas seis eleições entre o meio de julho e o começo de agosto. Alguns dados chamam a atenção. A aprovação do governo Jair Bolsonaro (26%) é quase a mesma de Dilma (29%).

Neste mesmo período em 2014, o governo Dilma, era rejeitado por 39%. A rejeição do atual presidente é de 47%.

Há outro número ainda mais relevante. Esta é a quarta eleição que um presidente busca um segundo mandato. Nas outras três , Fernando Henrique, Lula e Dilma Rousseff conseguiram a reeleição.

Nesta época da campanha, FHC, que venceu ainda no primeiro turno, era rejeitado por apenas 21% dos eleitores. Em 2006, Lula era rejeitado por 31%, mas partia de um número elevado das intenções de voto (44%) o mesmo patamar de hoje.

Dilma encontrou mais dificuldades, tendo a pior situação: a mais rejeitada (39%) e o menor índice de intenções de voto (36%).

Entretanto, seria um erro subestimar o patamar do qual o presidente está partindo entre 28% e 30%.

Numa eleição que deve ser marcada pela polarização, o contraste entre uma rejeição elevada e um bom índice de intenções de voto indica um acirramento natural dos ânimos em torno do atual comandante da nação, que deve intensificar-se a partir do momento que a campanha entre no cotidiano dos eleitores.

O ex-presidente Lula, bom leitor que sempre foi das tendências eleitorais, parece ter entendido isto ao pedir uma campanha que suba o tom. Mais do que uma escolha racional, polarizar é uma necessidade que se impõe. Se em 2010, diante da folga pela boa aprovação do governo, parecia um grande erro (que ajudou o adversário), em 2014 polarizar a campanha reforçando o senso de identidade, com o discurso do “nós contra eles”, parece ser um imperativo para tentar trazer de volta os eleitores lulistas em 2022.

Para Bolsonaro, este acirramento está longe de ser ruim, pois pode também potencializar a rejeição ao ex-presidente Lula, transformando a chamada terceira-via em votos úteis contra o petista. Diante deste cenário, não se espante se tivermos um segundo turno um tanto quanto histérico.

O CENÁRIO NOS ESTADOS

O cenário de acirramento a nível nacional também deve refletir nos Estados do Nordeste onde prometem eleições acirradas o que é o caso de Alagoas, Paraíba e Piauí, passando pela indefinição do Ceará e o desastre do Governo do PT na Bahia.

No Rio Grande do Norte, se fala muito que Fátima Bezerra, é "governadora de férias".

ELEIÇÃO ACIRRADA EM ALAGOAS

A pesquisa eleitoral mais recente divulgada em Alagoas contratada pela TV Pajuçara, afiliada à Record TV no estado mostra uma disputa acirrada pelo Governo Estadual após a confirmação do senador e ex-presidente da República, Fernando Collor de Melo(PTB), anunciar sua pré-candidatura ao Executivo Estadual.

Para o levantamento, feito pelo instituto Paraná Pesquisas, foram ouvidos 1.510 eleitores entre os dias 1º e 05 de julho, com o levantamento sendo divulgando no dia 07.

E nele, a disputa para governador do estado está praticamente empatada entre quatro pré-candidatos: Fernando Collor (PTB), Paulo Dantas (MDB), Rodrigo Cunha (União) e Rui Palmeira (PSD).

Paulo Dantas aparece em primeiro, com 24,9% das intenções de voto. Fernando Collor aparece em segundo, com 22,8%; Rodrigo Cunha em terceiro com 17,5% e Rui Palmeira em quarto com 15,1%.

Para ter noção do cenário parelho, em junho, Dantas estava em segundo lugar (subiu para primeiro), Palmeira em terceiro (caiu para quarto) e Rodrigo Cunha liderava (caiu para terceiro). Julho foi o primeiro mês de pesquisas com a chegada do ex-presidente Fernando Collor para a disputa, que já se posicionou em segundo

ELEIÇÃO ACIRRADA TAMBÉM NO PIAUÍ...

Encomendada pela TV Antena 10, afiliada da TV Record no estado, e publicada pelo Instituto Datamax, a última pesquisa divulgada para governador do Piauí mostra Rafael Fonteles (PT), com 33,4% das intenções de voto. Ele é seguido de perto por Sílvio Mendes (União Brasil), que tem 30,3%.

Em terceiro lugar aparece Major Diego (PL), com 2,4%, seguido de Gessy Fonseca (PSC), com 1,7%; Madalena Nunes (PSOL) e Geraldo Carvalho (PSTU), com 0,6% cada; Ravenna Castro (PMN), com 0,4%; e Gustavo Henrique (Patriota), com 0,1%.

‘Branco/Nulo’ foi a resposta para 9% dos entrevistados. Outros 21,3% disseram ‘Não Sabe/Não Responderam’. Os 2.000 participantes foram ouvidos entre os dias 05 e 10.

Além dela, pelo menos outras três pesquisas já foram encomendadas e devem ser publicadas na próxima semana.

A TENDÊNCIA NA PARAÍBA

No vizinho Estado da Paraíba pesquisa realizada pelo Instituto Opus, contratada pelo Portal da Capital foi a primeira a ser publicada desde fevereiro e mostra uma tendência de derrota para o atual governador João Azevêdo em uma disputa de possível 2° turno.

Para o levantamento, o atual governador João Azevêdo (PSB) lidera com 26% as intenções de voto, contra 18% de Pedro Cunha Lima (PSDB), em segundo.

Apareceram ainda Nilvan Ferreira (PL), com 13%; Veneziano Vital (MDB), com 12%; e o Major Fábio (PRTB), com 1%. ‘Branco/Nulo’ recebeu 11% dos votos e ‘Não Sabe/Não Respondeu’, 19%.

A pesquisa foi realizada de forma presencial entre os dias 05 e 12, com 1.000 entrevistas

O FENÔMENO ACM NETO

O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), pode vencer as eleições para Governo da Bahia logo no 1° turno, indica pesquisa Genial/Quaest realizada de 9 a 12 de julho de 2022. Ele tem 61% das intenções de voto. Empatados, na sequência, estão Jerônimo Rodrigues (PT), com 11%, e João Roma (PL), com 6%. Kleber Rosa (Psol) marca 1%. Outros 12% afirmam que irão votar branco, nulo ou não irão votar. Os indecisos correspondem a 9%.

Os números refletem a crise envolvendo o péssimo governo do PT no Estado.

CENÁRIO INDEFINIDO NO CEARÁ...

No Ceará, a última pesquisa eleitoral realizada no estado foi produzida pelo Instituto Quaest, encomendada pelo PDT. Foram 1.500 entrevistados, ouvidos entre 27 de junho e 1º de julho. A intenção do partido foi testar seus quadros contra Capitão Wagner, pré-candidato a governador pelo União Brasil.

Foram testados os nomes do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, a governadora Izolda Cela, o deputado federal Mauro Filho e o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Filho.

Divulgado no último dia 06, o levantamento mostra quatro cenários envolvendo a disputa direta entre Capitão Wagner e um nome do PDT.

Cenário I
Capitão Wagner (União): 44%
Roberto Cláudio (PDT): 40%
Indecisos: 3%
Branco/Nulo/Não vai votar: 12%

Cenário II
Capitão Wagner (União): 52%
Izolda Cela (PDT): 30%
Indecisos: 4%
Branco/Nulo/Não vai votar: 14%

Cenário III
Capitão Wagner (União): 55%
Mauro Benevides Filho (PDT): 23%
Indecisos: 4%
Branco/Nulo/Não vai votar: 18%

Cenário IV
Capitão Wagner (União): 59%
Evandro Leitão (PDT): 17%
Indecisos: 5%
Branco/Nulo/Não vai votar: 19%

GOVERNADORA DE FÉRIAS?

Pesquisa do Instituto Exatus, em parceria com o portal AgoraRN, última pesquisa eleitoral para governador no Rio Grande do Norte, aponta a atual governadora Fátima Bezerra (PT) considerada "governadora de férias" liderando com folga as intenções de voto na sua tentativa de reeleição, com 36,1% das respostas.

Em segundo lugar aparece Styvenson Valentim (Podemos), com 13,9%, seguido de Fábio Dantas (Solidariedade), com 6,6% (seu pior desempenho). Aparecem ainda Clorisa Linhares (PMB), com 2,3%; Danniel Morais (PSOL), com 2%; e Rosália Fernandes (PSTU), com 1,7%.

‘Ninguém/Branco/Nulo’ recebeu 21,1% e ‘Não Sabe/Não Respondeu’ outros 16,1%.

Foram 2.000 entrevistados entre os dias 05 e 07. Foi registrada no TSE nessa quinta-feira (14) uma nova pesquisa, com previsão de divulgação no dia 20.

INCÓGNITA

Apesar de figurar nas pesquisas, uma possível candidatura do senador Styvenson Valentim (Podemos) ao Governo do Estado ainda é uma incógnita.

Styvenson já avisou que só decidirá sobre uma possível candidatura no dia da convenção partidária.

ELEIÇÕES 2022

 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou, na última sexta-feira, que as eleições de 2022 terão 156,4 milhões de pessoas aptas a votar. De acordo com o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, esse é o maior eleitorado cadastrado da história brasileira. Segundo as estatísticas da Justiça Eleitoral, houve um aumento de 6,21% do eleitorado desde as últimas eleições gerais do país, em 2018. Naquele pleito, o número de eleitoras e eleitores habilitados a votar era de 147.306.275.

O eleitorado do Rio Grande do Norte cresceu 7,6% em quatro anos, entre as eleições de 2018 e de 2022.

O estado saltou de 2.373.619 eleitores em 2018 para 2.554.727 eleitores em 2022.

O crescimento percentual do estado foi maior que o nacional. No Brasil todo, o eleitorado cresceu 6,21%.

O crescimento do número de eleitores foi puxado principalmente pelo interesse de jovens menores de 18 anos, que não são obrigados a votar, mas optaram por realizar registro. Neste ano, TSE realizou uma campanha para incentivar os jovens a participarem das eleições.

O número de eleitores potiguares com idades entre 16 e 17 anos pulou de 29.065 em 2018 para 45.967 neste ano. O aumento é de 58,15% - percentual maior que a média nacional (51,13%).

FRASE

"Pesquisa se combate com pesquisa".

- Agnelo Alves

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