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PSIQUIATRA CONHECIDA POR TER REVOLUCIONADO A FORMA COMO É FEITO O TRATAMENTO DE TRANSTORNOS MENTAIS NO BRASIL É VETADA POR BOLSONARO DO LIVRO DE HERÓIS DA PÁTRIA

 



O presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou a inscrição do nome da psiquiatra Nise da Silveira no livro de Heróis e Heroínas da Pátria. O veto foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) de hoje. A decisão ocorre uma semana depois que é lembrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, em 18 de maio.

Nise da Silveira é conhecida por ter revolucionado a forma como é feita o tratamento de transtornos mentais no Brasil. O Senado tinha aprovado a inscrição dela no livro em 27 de abril. O PL 6.566/2019 foi proposto pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

De acordo com o Bolsonaro, "não é possível avaliar a envergadura dos feitos da médica Nise Magalhães da Silveira e o impacto destes no desenvolvimento da Nação, a despeito de sua contribuição para a área da terapia ocupacional".

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria fica exposto no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes em Brasília. O livro reúne nomes importantes para a história nacional, como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Dom Pedro 1° e Anna Nery.

A psiquiatra alagoana nasceu em Maceió em 1905 e se formou na Faculdade de Medicina da Bahia. Nise era contrária aos tratamentos com eletrochoque e outras terapias agressivas que eram usadas na época.

Os projetos defendidos pela psiquiatra foram aos poucos sendo aceitos dentro dos hospitais psiquiátricos. Ela passou a usar a arte como forma de tratamento. Como coordenadoria do setor terapêutico do Centro Psiquiátrico Pedro II, Nise conseguiu bons resultados com seus métodos. No Brasil, ela é considerada pioneira da terapia ocupacional.

Nise morreu no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1999, aos 94 anos de idade. Em 2015, a história dela virou filme. Em Nise – O Coração da Loucura, de Roberto Berliner, é contado como a médica enfrentou todo um sistema ao se recusar a usar os tratamentos da época em seus pacientes. A reforma psiquiátrica no Brasil só iria ocorrer em 2001. Foi quando começaram a ser fechados gradualmente os manicômios do país.

Folhapress

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