
O desemprego no Brasil atinge 5,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, a maioria mulheres, pretos e pardos.
Os números são da pesquisa inédita da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, elaborada a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Relação Anual de Informações Sociais (Rais), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
O estudo revela que 55% desses jovens são mulheres e pessoas pretas e pardas. Entre os desocupados, 52% são mulheres e 66% são pretos e pardos.
Aqueles que nem trabalham nem estudam — os chamados nem nem — somam 7,1 milhões. Desse total, 60% são mulheres, a maioria com filhos pequenos, e 68% são pretos e pardos.
Na avaliação do professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos, a alta taxa de desemprego entre os jovens constitui um fenômeno comum em todo o planeta.
“Poucos países fogem à regra. As maiores taxas de desemprego são observadas entre a população jovem. Entre essas nações que são exceção estão as nórdicas, como Alemanha e Áustria”, afirma.
Nesses últimos países citados, observa Ramos, a articulação entre o sistema escolar e o mundo do trabalho é uma constante.
“A educação se articula com as necessidades de formação das vagas abertas. No Brasil, as escolas, sobretudo da rede pública, não preparam os jovens para o mercado de trabalho. Isso é fator preponderante para o desemprego”, avalia.
Sobre o fato de a proporção maior de desempregados ser entre mulheres e pessoas pretas e pardas, de acordo com a pesquisa, o especialista observa que esse fenômeno independe da faixa etária, mas revela características estruturais difíceis de mudar a curto prazo.
Intitulado Empregabilidade Jovem Brasil, o estudo aponta, ainda, que apenas 14% dos jovens trabalhadores desempenham atividades técnicas nas áreas de cultura, informática e comunicações, enquanto 86% se ocupam com tarefas menos desafiadoras, como operador de telemarketing, vendedor e motorista de aplicativo.
O ponto em comum foi a informalidade, com 51% das mulheres e 56% dos pretos e pardos nessa situação.
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