De Leonardo Sakamoto
Do Uol
O Ministério da Saúde já estava sendo criticado por atrasar a atualização diária sobre a covid-19 (dificultando sua divulgação nos telejornais da noite) e por reduzir a transparência no acesso aos dados, mudando a forma como eles apareciam no site da instituição. Chegou, aliás, a tirar a página com as informações do ar. Agora, o governo quer recontar o número de mortos porque o atual seria, na sua opinião, "fantasioso ou manipulado".
A declaração foi dada por Carlos Wizard, futuro secretário da Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde à Bela Megale, do jornal O Globo. Para ele, o número atual estaria inflado e mortes eram incluídas na contagem a fim de justificar um aumento no orçamento de prefeitos e governadores.
Até um texugo com sérios problemas de aprendizagem sabe de cor que o drama nas estatísticas da covid-19 no Brasil é o contrário, ou seja, uma gigante subnotificação. Testamos muito pouco, quase nada, em comparação a outras nações. Recente estudo de abrangência nacional realizado pela Universidade Federal de Pelotas apontou que, em grandes cidades, o número real de casos pode ser até sete vezes maior que o oficial.
Mesmo com parte da pandemia nas sombras, o Brasil chegou à vice-liderança mundial no número de infectados (645.771) e ao terceiro lugar em mortes (35.026) - com chance de terminar essa primeira onda de contaminação em primeiro.
Criticado em todo o mundo pela ausência de liderança e de planejamento diante da pandemia, o governo Bolsonaro pode ter encontrado uma forma de reduzir a quantidade de casos de coronavírus: torturar os números até que eles gritem o que ele deseja ouvir.
Na manhã deste sábado (6), o Ministério da Saúde - em nota que circulou pelas redes sociais do presidente - justificou-se por ter passado a divulgar apenas as mortes registradas nas últimas 24 horas e não mais o total: "ao acumular dados, além de não indicar que a maior parcela já não está com a doença, não retratam o momento do país".
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