
Em 1988, a eleição para prefeito de Caicó ocorreu num clima de muito acirramento dos ânimos entre os partidários de ambas as correntes políticas da cidade.
O duelo tradicional entre o médico Silvio Santos, representante da bandeira encarnada e Manoel Torres, candidato do verde da “esperança”, não ofuscou o brilho das outras duas candidaturas: Doutor Assis Medeiros “Assinzinho'” e Oberdan Damásio.
Num certo dia, o candidato a prefeito de Caicó, médico Sílvio Santos, realizava um showmício, com animação da banda Circuito Musical, nas proximidades da Praça do José Delgado. Por pouco, não terminou numa tragédia.
Existia uma regra, previamente decidida pelo deputado Vivaldo Costa, avalista da candidatura de Silvio Santos, para prefeito, que estabelecia três minutos tempo máximo para a fala dos candidatos a vereadores inscritos.
Vida dura é do locutor oficial de palanque de comícios, principalmente no interior, quando a maioria dos candidatos se empolga e extrapola o tempo permitido, o que deixa o cara bastante estressado.
Foi o que aconteceu num comício de Dr. Sílvio. O locutor era F. Gomes (in memorian), por várias vezes tentou avisar ao candidato a vereador Chico 'Carcará', que o tempo dele já teria se esgotado. Mesmo assim, ele continuou discursando sem parar.
Diante do prolongado e enfadonho discurso de Chico Carcará, surge uma ideia para conter o orador. O Prefeito Dadá Costa, pediu que Miltão, outro candidato a vereador, desse uma dedada pela retaguarda de “Carcará”.
Cumprindo ordens, o filho do saudoso vereador Avelino Batista não perdeu tempo e com o seu dedo maior de todos, desferiu a dedada. Ao sentir aquele toque penetrar no seu anel, “Carcará” olhou para trás e disse: “Que fuleragem é essa! Vão cutucar o rabo da puta que pariu, seus frescos". E entregou o microfone a F. Gomes, descendo do palanque fumando numa quenga.
Inconformado com a humilhação sofrida em cima do palanque e ainda de sangue quente, '”Carcará” armado com uma faca peixeira retornou ao palanque e viu Pedro 'Barim', um rapaz decente e bem criado pela professora Norma, cochichando e sorrindo com “Ney da Ventona” (in memorian), o que resultou num tumulto generalizado, sobrando para Pedrinho, que levou um bofete de “Carcará” no dito popular “caindo de cu trancado”.
O autor, é Leleu Fontes, professor e ex-vereador de Caicó.
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